EDITORIAL
ELECTRONIC CIGARETTES AMONG UNIVERSITY STUDENTS: THE NECESSARY CONVERGENCE BETWEEN PUBLIC HEALTH AND TECHNOLOGICAL INNOVATION
CIGARRILLOS ELECTRÓNICOS EN UNIVERSITARIOS: LA CONVERGENCIA NECESARIA ENTRE SALUD PÚBLICA E INNOVACIÓN TECNOLÓGICA
https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.1-art.2714
1Ítalo Arão Pereira Ribeiro
1Doutor em Enfermagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Editor Científico - Revista Enfermagem Atual in Derme (REAID). Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0778-1447
Autor correspondente
Ítalo Arão Pereira Ribeiro
Revista Enfermagem Atual in Derme – REAID - Rua México, 164, Sala 62, Centro – Rio de Janeiro, RJ - Brasil - CEP: 20031-143 E-mail: contato@revistaenfermagematual.com.br
Submissão: 27-12-2025
Aprovado: 31-12-2025
O consumo de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) entre universitários consolidou-se como um desafio crítico para a saúde pública contemporânea, transcendendo fronteiras geográficas e heterogeneidades culturais. No cenário brasileiro, a prevalência do uso desses dispositivos atinge patamares alarmantes, superando 24% em determinadas populações discentes. Tal fenômeno é impulsionado primordialmente pela curiosidade e pela pressão psicossocial dos pares, subsistindo de forma resiliente mesmo diante do rigor normativo da legislação sanitária nacional, que veda sua comercialização(1).
Complementarmente a esse cenário, investigações acerca do nível de literacia em saúde dos estudantes revelam uma lacuna cognitiva preocupante: a desinformação sobre os riscos intrínsecos ao vaping favorece a normalização do hábito. Essa realidade converge com evidências internacionais que apontam determinantes sociais e comportamentais, notadamente o estresse acadêmico e a exposição transmidiática a conteúdos pró-consumo, como vetores fundamentais para a iniciação e manutenção da dependência nicotínica(2,3).
Não obstante o discurso comercial que, historicamente, posicionou os cigarros eletrônicos como ferramentas de redução de danos, o acúmulo de evidências científicas nesta década aponta para uma direção oposta. Estudos clínicos recentes estabelecem correlações robustas entre o uso de e-cigarettes e o desenvolvimento de patologias respiratórias, cardiovasculares e transtornos psicológicos. Além disso, observa-se o "efeito porta de entrada", no qual o uso desses dispositivos eleva a propensão ao tabagismo convencional e a outros comportamentos de risco(4). No Brasil, a persistência do consumo, apesar da proibição vigente, configura uma "epidemia silenciosa" de nicotina que compromete indivíduos em pleno ciclo de formação profissional, incluindo futuros atores dos setores de saúde e ciência(5).
Sob essa ótica, torna-se imperativo que as estratégias de enfrentamento evoluam para além das intervenções convencionais de educação passiva. Dada a onipresença digital na vida cotidiana dos jovens, a promoção da saúde deve ser mediada por tecnologias disruptivas e orientadas ao usuário. Intervenções digitais, que englobam desde sistemas de mensageria personalizada até plataformas interativas baseadas em suporte social, têm demonstrado eficácia superior no suporte à cessação, proporcionando um acompanhamento contínuo e escalável que amplia significativamente as taxas de abstinência(6).
Nesse contexto, o ecossistema universitário oferece um ambiente fértil para a implementação dessas ferramentas. A integração de protocolos de cessação em plataformas institucionais, aliada ao uso de Inteligência Artificial para a análise de dados comportamentais, permite a identificação de padrões de vulnerabilidade e a execução de intervenções proativas e personalizadas. Ademais, o emprego de elementos de gamificação e suporte telemédico pode catalisar o engajamento estudantil, transformando as instituições de ensino em agentes ativos de promoção do bem-estar.
Em suma, a mitigação do impacto dos cigarros eletrônicos exige uma resposta transdisciplinar que articule rigor científico, inovação tecnológica e políticas educacionais robustas. Somente através de uma abordagem moderna, sensível às dinâmicas digitais e fundamentada em evidências, será possível reverter a trajetória de dependência entre universitários, garantindo a preservação da saúde física e mental das futuras gerações de profissionais.
REFERÊNCIAS
1. Lucinda LMF, Mattos GA, Paticcié GF, Borges IAP, Camarano IM, Fagundes TACB, Orellana LC, Campos PIC. Prevalência e fatores associados com o uso de cigarro eletrônico em estudantes universitários: um estudo transversal. Rev Médica Minas Gerais. 2024; 34: e-34108. doi: https://dx.doi.org/10.5935/2238-3182.2024e34108
2. Costa NE, Pereira CV, García NG. Desinformação e alta prevalência do uso de cigarros eletrônicos entre estudantes universitários: um estudo transversal. Res Society Development. 2025; 14 (8): e7814849404. doi: https://doi.org/10.33448/rsd-v14i8.49404
3. Rocha-Ávila, LR, Núñez-Baila, MÁ, González-López, JR. E-Cigarette Use Among University Students: A Structured Literature Review of Health Risks, Behavioral and Social Determinants, and Nursing Implications. Healthcare (Basel, Switzerland). 2025; 13(17): 2150. https://doi.org/10.3390/healthcare13172150
4. Golder S, Hartwell G, Barnett LM, Nash SG, Petticrew M, Glover R. Vaping and harm in young people: umbrella review. Tobacco Control. 2025; 0: 1-11. doi: https://doi.org/10.1136/tc-2024-059219
5. Jornal USP. Uso de nicotina cresce no Brasil com avanço dos cigarros eletrônicos entre jovens [Internet]. São Paulo: Jornal USP; 2025 [citado 2025 Dez 24]. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/uso-de-nicotina-cresce-no-brasil-com-avanco-dos-cigarros-eletronicos-entre-jovens
6. Fonteyne K, Keys E, Hasan K, Struik L. Exploration of Digital Interventions for Vaping Cessation: Scoping Review J Med Internet Res. 2025;27:e76983. doi: https://doi.org/10.2196/76983
Fomento e Agradecimento:
Não há
Declaração de conflito de interesses
Nada a declarar
Critérios de autoria (contribuições dos autores)
O autor contribuiu substancialmente na concepção e/ou no planejamento do estudo; 2. na obtenção, na análise e/ou interpretação dos dados; 3. assim como na redação e/ou revisão crítica e aprovação final da versão publicada.
Editor Científico: Francisco Mayron Morais Soares. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7316-2519
Rev Enferm Atual In Derme 2026;100(1): e026006